Projeto Ginga – Vi(vi)das de Mulheres Entrevista de Marcelina Barreto 4
Nome: Karmina
(os nomes foram alterados)
Idade: 52
Local de
Residência: Minhota/ Lubango - Huíla
Estado Civil:
Casada
Nº de Filhos: 3
filhos
Situação: Professora
do Ensino primário e I Ciclo
Escolaridade:
Licenciada em Psicologia da Educação (ISCED)
Relativamente ao
trabalho, Karmina aponta diversas dificuldades, sendo as mais frequentes a subordinação
das mulheres e o não reconhecimento das suas competências. Refere que, regra
geral, são sempre os homens a serem nomeados e que para uma mulher ter destaque
tem que fazer o dobro do trabalho exigido a um homem. Por vezes, por imposição do
Governo, aparecem algumas mulheres em cargos de chefia, embora desempenhem
estas funções com muitas dificuldades e com muito desdém.
A par dos salários
baixos, é frequente a discriminação sendo sempre a tendência em dar partido aos
homens que, por sua vez, entendem que são mais capacitados (apenas por serem
homens), ou por estarem sempre mais disponíveis para os trabalhos, visto que a necessidade
de cuidar da família (papel maioritariamente “entregue” às mulheres) é
entendido como sendo prejudicial às empresas.
Em termos de
procura de emprego, Karmina refere que “as oportunidades são relativas”,
nomeadamente porque o encontrar emprego está dependente de vários fatores,
particularmente o “amiguismo” e as cunhas. Contudo, entende que os homens
partem com mais vantagens porque têm mais domínio de informática e das línguas,
requisitos frequentes para a contratação.
Karmina refere que
o assédio sexual existe, entendido enquanto “troca de favores”, particularmente
quando a mulher se mostra disponível para se “submeter ao capricho, sempre
vindo da parte dos homens”.
Questionada
sobre a evolução do mercado de trabalho, refere que este melhorou muito
comparativamente com as décadas transatas. Hoje em dia, são muitas as mulheres
que saíram de casa para trabalhar e fazer face às dificuldades da vida, particularmente
porque o salário não acompanha a subida do custo de vida. Antigamente, refere, “a
própria sociedade ditava o papel das mulheres, por natureza tinham de ser domésticas,
cuidar da casa, filhos e marido”, existindo uma “submissão exagerada”. Essa
submissão, embora tenha diminuído, ainda está patente nos dias de hoje. Uma das
razões para os homens serem mais facilmente contratados prende-se, exatamente,
com a lógica que entende que eles estão isentos de obrigações familiares (por
exemplo, não faltam ao trabalho para cuidar dos filhos).
Karmina refere
que existe discriminação no emprego, mesmo quando a mulher é “próspera” e bem-sucedida,
não se aceitando o esforço e o mérito próprio, partindo-se sempre do princípio
que “existe sempre por trás um homem”. Sublinha: “não somos consideradas como
seres capazes de fazer e de criar coisas, o assédio sexual ainda é muito
frequente. Existe violência doméstica, física e psicológica”.
Em termos de
políticas públicas, entende que é necessário “valorizar a Mulher como tal, pelo
que ela é e representa, suas competências, capacidades”. Aponta como exemplo a política,
tornando-se necessário que as nomeações para lugares no parlamento não sejam
apenas para preencher as percentagens exigidas para a representação feminina,
mas que as deputadas sejam escolhidas por competências e mérito. Assim sendo,
estar-se-ia a contribuir para a valorização das mulheres enquanto “seres
capazes”.
Projeto Ginga –
Vi(vi)das de Mulheres”.
Neste projeto abordamos as questões das diferenças de Género e o papel da Mulher na sociedade angolana, particularmente do Lubango.
A Lusango – Consultoria para o Desenvolvimento é um projeto de consultoria associado à Página Emprego e Bolsas na Área de Sociologia e ao Blogue Sociologia das Estações. O conhecimento como arma na luta pela inclusão e contra a desumanização.
Neste projeto abordamos as questões das diferenças de Género e o papel da Mulher na sociedade angolana, particularmente do Lubango.
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