Projeto Ginga – Vi(vi)das de Mulheres
Entrevista de Marcelina Barreto 2
Angélica
Silva (os nomes foram alterados) é uma mulher de 55 anos que vive no Bairro do
Arco Íris no Lubango (Província da Huíla, Angola). Viúva, com 6 filhos, trabalha como Supervisora (vigilante
de pátio) numa escola privada e frequentou a Escola de Formação de Professores.
No
trabalho, Angélica queixa-se de desrespeito e desdenho do patrão que não valoriza
a atividade dos funcionários e está sempre com comentários desdenhosos: “Isto
aqui não é nada!”. Angélica diz que: “Nenhum trabalho é fácil, agradar o gosto
do patrão não é fácil, pensamos que estamos a trabalhar bem, mas para ele não”.
Fica com dúvidas sobre o que fazer para melhorar e como desempenhar com sucesso
as suas tarefas, mas por necessidade mantém-se a trabalhar. Acha que o salário
é baixo, principalmente quando comparado com a função pública onde as pessoas
recebem em função do seu nível académico.
Já
se sentiu discriminada no trabalho, pelo facto de ser mulher, quando teve de substituir
o colega da supervisão que se encontrava de férias. Também quando ocorrem
situações em que é necessário dar uma tarefa aos colegas
motoristas, os mesmos não a levam a sério e não querem cumprir. Só o fazem
quando os ameaça de ir comunicar ao patrão.
Angélica
acha que, tanto para homens, como para mulheres, é bastante difícil conseguir
emprego nesta época, embora também dependa muito do empenho de cada um. Refere
que muitas pessoas que, anteriormente, tinham os seus pequenos negócios (que já não conseguem manter),
preferem estar desempregadas porque não conseguem esperar até ao fim do mês
para auferirem um salário.
Salienta
que, anteriormente, as mulheres não tinham acesso ao mercado de trabalho, apenas
os homens é que trabalhavam (fora) para sustentar a família. Contudo, atualmente,
as mulheres é que se estão a empenhar mais. Brinca que “há homens que querem
mais cama e mesa”. Embora nas aldeias a realidade não se tenha alterado muito, nas
cidades as mulheres já não querem depender dos homens.
Refere
que os salários praticados são muito baixos e o que se ganha não chega para o
sustento de todos, principalmente quando existem muitas famílias numerosas. O
acesso à escola, por exemplo, é bastante complicado, principalmente a partir
dos 16 anos quando muitos têm de conciliar o trabalho com os estudos. Muitos
jovens que querem prosseguir o ensino médio, apenas o conseguem estudando à
noite, acabando por desistir por falta de transportes, falta de possibilidades
financeiras para recorrer aos privados, assim como por falta de apoio das
famílias. Neste ponto, Angélica refere que muito maridos não querem que os
filhos continuem a estudar, embora a maior parte das mulheres tenha uma opinião
contrária. A par das despesas na educação, a saúde é outra grande dificuldade,
pois o dinheiro nunca é suficiente para comprar medicamentos.
Comparando
homens e mulheres, Angélica acha que as oportunidades são iguais para todos,
que o nível académico ajuda, mas que isso também depende da sorte e do “padrinho
na cozinha.”
Como
soluções, refere que seriam necessários mais programas de alfabetização e salários
compatíveis com o nível académico dentro das empresas.
Projeto Ginga –
Vi(vi)das de Mulheres”.
Neste projeto abordamos as questões das diferenças de Género e o papel da Mulher na sociedade angolana, particularmente do Lubango.
A Lusango é um projeto de consultoria associado à Página Emprego e Bolsas na Área de Sociologia e ao Blogue Sociologia das Estações. O conhecimento como arma na luta pela inclusão e contra a desumanização.
Neste projeto abordamos as questões das diferenças de Género e o papel da Mulher na sociedade angolana, particularmente do Lubango.
A Lusango é um projeto de consultoria associado à Página Emprego e Bolsas na Área de Sociologia e ao Blogue Sociologia das Estações. O conhecimento como arma na luta pela inclusão e contra a desumanização.

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