Projeto Ginga – Vi(vi)das de Mulheres 1





Projeto Ginga – Vi(vi)das de Mulheres
Entrevista de Marcelina Barreto




Mayara Gugonga (os nomes foram alterados) é uma mulher de 24 anos que vive no Bairro Lucrécia no Lubango. Solteira, com uma filha, vive em casa dos pais. Trabalha como empregada de limpeza numa Escola Provada e estuda de noite no 10.º ano do Ensino Médio.
Sobre o trabalho, Mayara acha que ele não é fácil de fazer, pois requer muito esforço físico. Apesar de não gostar, tem de pagar os seus estudos e garantir o sustento da filha. Tenta conciliar o trabalho e a escola, o que não é fácil, pois tem de arranjar tempo para estudar e revisar a matéria da escola. O salário que recebe não é muito, mas já dá para suprir algumas necessidades. Nunca se sentiu discriminada no seu trabalho pelo facto de ser mulher, mas na escola diz que acontecem sempre casos de desrespeito por parte de alguns colegas homens que a insultam e tentam intimidar.
Mayara acha que encontrar trabalho em Angola é muito difícil atualmente, tanto para homens como para mulheres. Contudo, refere que as oportunidades para as mulheres são menores, particularmente porque têm menos qualificações e menos força física (fator que as empresas privilegiam, nomeadamente para trabalhos braçais).
Relativamente aos maiores problemas que as mulheres enfrentam no Lubango e em Angola, Mayara destaca a falta de condições e a dificuldade de atendimento nos hospitais, pediatrias e maternidades.
Questionada sobre o que seria necessário para melhorar as condições de vida das mulheres, Mayara destaca a necessidade de existirem mais ofertas no mercado de trabalho, condições para as mulheres criarem os seus próprios negócios, assim como o acesso à educação.

Projeto Ginga – Vi(vi)das de Mulheres”.
Neste projeto abordamos as questões das diferenças de Género e o papel da Mulher na sociedade angolana, particularmente do Lubango.
A Lusango é um projeto de consultoria associado à Página Emprego e Bolsas na Área de Sociologia e ao Blogue Sociologia das Estações. Mais uma vez e como sempre, o conhecimento como arma na luta pela inclusão e contra a desumanização.

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