Os “Is” da identidade sociológica – investigação



Empregabilidade sociológica 2 – Os “Is” da identidade sociológica – investigação



Investigação
Tal como existe interdisciplinaridade na sociologia, também existe sociologia noutras ciências. Aliás, grande parte da sociologia atual não é realizada por pessoas que se formaram diretamente na área, mas que têm formação de base (nomeadamente uma licenciatura) noutras áreas de conhecimento. A título de exemplo, note-se que muitos cursos de sociologia foram criados por pessoas que não eram licenciadas em sociologia, mas noutras áreas, particularmente o direito, mas que possuíam mestrados ou doutoramentos na área das ciências sociais/sociologia. 
A interdisciplinaridade está na essência da sociologia, visto estar na formação dos “pais fundadores”, Marx, Tocqueville, Montesquieu, entre outros. Aliás, Marx não é só "pai" da sociologia, mas também da economia ou da filosofia. Note-se que a sociologia também possui as suas “mães”, tais como Harriet Martineau, mas elas acabaram por ser negligenciadas, demonstrando, inclusive, que uma ciência que muito tem batalhado pela igualdade de género, também se desenvolveu nessa desigualdade. E quando falamos em género, também poderíamos falar em cultura ou etnia. Mas isso será outra discussão.
Retomando à temática da sua origem enquanto ciência, ou do seu aparecimento enquanto área de formação científica, não deixa de ser caricato constatar que muitos/as dos/as seus fundadores/as e precursores/as não poderiam concorrer a alguns empregos, tanto no público, como no privado, exatamente por não serem licenciados/as em sociologia. 
Por sua vez, a metodologia de investigação científica, inerente a todas as áreas do conhecimento, vai beber muito à investigação em ciências sociais, mais especificamente ao método sociológico de Émile Durkheim. As origens do método científico não são exclusivas das ciências sociais, mas estas sempre estiveram na sua base. Curiosamente, muitas pessoas que criticam e diminuem a importância da sociologia desenvolveram pesquisas cuja metodologia é fortemente influenciada por ela. Apontam, ainda, o facto de o conhecimento sociológico não poder ser considerado objetivo, por estar assente na subjetividade, e, logo, não poder ser considerado ciência.

Atendendo à história, podemos nos recordar que um dos “pais fundadores”, nomeadamente Auguste Comte, na senda do positivismo, defendia a sociologia enquanto uma ciência sintética, ou do Todo Histórico – pressupondo uma conceção determinista da sociedade, assim como o princípio de um conhecimento universalista e inquestionável que associava às ciências exatas. Embora conceção de Comte relativamente à sociologia nunca se tenha assumido enquanto paradigma dominante, não deixa de ser verdade que a metodologia científica é um dos pressupostos da investigação em sociologia e nas ciências sociais. Aliás, se todo o universo pessoal e valores do/a pesquisador/a estão patentes nos seus interesses, visões do mundo, valores, ideologia, etc., e estes perpassam, de algum modo, para o seu trabalho científico, a subjetividade está, também ela, inerente não só às ciências sociais como também às ciências exatas.
Contudo, se não é pacífica a discussão acerca da metodologia de investigação, muito menos pacífica será a discussão sobre o que constituem, hoje em dia, as ciências sociais, independentemente de estarmos a falar de sociologia, de filosofia, ou de economia. Aliás, os centros de investigação da área das ciências sociais, tanto em Portugal, como no Brasil, integram pessoas de áreas de formação diversificadas, inclusive das ciências exatas. Da mesma forma, existem muitos bons estudos sobre as mais diversas problemáticas sociais que não emergem da área das ciências sociais.

A questão que se coloca é esta: não sendo a sociologia exclusiva dos/as sociólogos/as, se os estudos e as competências são transversais a muitas outras áreas, como é que isso se reflete em termos de empregabilidade de quem tira um curso de sociologia?

Ricardo M Marques




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